sábado, 19 de novembro de 2011

Egípcios protestam contra governo militar provisório

Protestos foram organizados dez dias antes das primeiras eleições legislativas, marcadas para acontecer no dia 28 de novembro

Milhares de manifestantes participaram de protestos contra o governo militar provisório instalado no Egito (AFP PHOTO / KHALED DESOUKI)
Milhares de manifestantes participaram de protestos contra o governo militar provisório instalado no Egito

Milhares de manifestantes, em sua maioria islamitas, reuniram-se nesta sexta-feira na Praça Tahrir, no Cairo, para exigir que as Forças Armadas transfiram o poder aos civis e para denunciar um projeto que permitirá que os militares mantenham seus privilégios.
A manifestação reuniu simpatizantes de formações laicas, liberais ou de esquerda, bem como os movimentos pró-democracia que deram origem à revolta que derrubou o presidente Hosni Mubarak em fevereiro.
Milhares de outras pessoas também realizaram uma passeata em Alexandria, segunda cidade mais importante do país e reduto tradicional da Irmandade Muçulmana, segundo a agência de notícias Mena.
As Forças Armadas, no poder desde a renúncia de Mubarak no dia 11 de fevereiro, prometeram passar o poder aos civis depois da eleição do novo presidente. Mas nenhuma data foi fixada para a realização da consulta popular, que não deve ocorrer antes do final de 2012 ou 2013.
"O povo exige um calendário para a entrega do poder", estava escrito em uma grande bandeira na Praça Tharir, epicentro das manifestações do início do ano.
"Aqueles que nos governam acham que o tempo vai fazer a gente esquecer nossa causa. Estão enganados", declarou o imã Mazhar Chahine aos manifestantes, referindo-se ao Conselho Superior das Forças Armadas (CSFA), no poder há 10 meses.
As queixas também dizem respeito a um projeto de princípios constitucionais apresentado pelo vice-primeiro-ministro Ali Silmi, acusado de reduzir os poderes do próximo Parlamento.
O projeto, centro das discussões nos últimos dias e várias vezes alterado, poderá privar o Parlamento do direito de controlar o orçamento do Exército e deixará aos militares a decisão final sobre qualquer legislação que os afetem.
Originalmente reivindicado pelos grupos liberais e laicos, o projeto é agora acusado de limitar a margem de manobra da comissão que será formada pelo próximo Parlamento para elaborar a nova Constituição. "Enquanto o CSFA estiver no poder, o Parlamento não será soberano", declarou Adham Hani, um habitante da província de Minya.
Apesar da presença de manifestantes laicos, as manifestações mostram a força dos islamitas liderados pela Irmandade Muçulmana, poucos dias antes da eleição legislativa.
"Aos que temem os movimentos islâmicos no Egito, eu digo que não precisam ter medo do islã de nosso país. Querendo ou não, o Egito é um país islâmico", declarou o imã Chahine.
O líder religioso pediu por "um Estado civil que seja uma democracia com uma visão islâmica e que permita as pessoas praticarem os direitos democráticos".
Na quinta-feira, pedras e garrafas foram atiradas contra uma manifestação de centenas de cristãos coptas no Cairo, que marchavam em protesto contra a morte no dia 9 de outubro de 25 pessoas, principalmente coptas, durante confrontos com o exército.
Postado por prof: Gilvan (fonte: IG)

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