sábado, 19 de novembro de 2011

Se PT tiver nome forte para BH, PMDB apoia aliado, diz presidente

Antônio Andrade, que responde pelo partido em Minas, defende nome de ministro Fernando Pimentel ou do ex-prefeito Patrus Ananias

Denise Motta
O PMDB de Minas Gerais abre mão da disputa pela prefeitura de Belo Horizonte se o PT indicar um nome de peso em 2012, afirmou nesta sexta-feira (18) ao iG o presidente do PMDB estadual, deputado federal Antônio Andrade. “Só existe uma hipótese de o PMDB não lançar candidatura própria em Belo Horizonte. Se o PT indicar um nome denso, desistimos, porque eles têm muitas chances de ganhar”, disse Andrade.
Aliança por um fio:

 
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Foto: AE
Patrus Ananias, apontado pelo PMDB como um dos nomes "densos" para disputar a prefeitura de Belo Horizonte
uestionado sobre quem teria a densidade suficiente, o dirigente peemedebista apontou dois nomes: Fernando Pimentel (ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e Patrus Ananias (ex-ministro de Desenvolvimento Social e Combate à Fome durante as duas gestões de Lula).
Ananias disse ao iG que não pretende ser candidato.  Pimentel, prefeito da capital mineira entre 2003 e 2009, assumiu o ministério neste primeiro mandato da presidenta Dilma Rousseff (PT) e tem demonstrado interesse em disputar o governo do Estado em 2014. Ele comanda um grupo petista a favor da manutenção da aliança do PT com o PSB de Lacerda, apesar de o prefeito enfrentar turbulência no relacionamento com seu vice, Roberto Carvalho (PT).
Polêmica
Além disso, o presidente do PSB de Minas, Walfrido dos Mares Guia, convidou formalmente o PSDB para integrar aliança em torno de Lacerda em 2012 e já avisou que não aceita veto do PT. Isso porque há um grupo petista ligado ao vice-prefeito que condena a reedição de uma aliança em torno do PSB, junto com o PSDB. Em 2008, esta composição teve como padrinhos o então governador Aécio Neves (PSDB) e o então prefeito Fernando Pimentel (PT).

Os nomes densos
Patrus Ananias disse ao iG não estar em “seu horizonte” disputar novamente a prefeitura. Ele foi prefeito entre 1993 e 1997 e garante estar entre suas prioridades de 2012 trabalhar pela união do PT e discutir Belo Horizonte (cidade com a qual possui uma “relação fraterna”, como ele afirma), no “campo das políticas públicas sociais”.
“Tem sempre uma dimensão humana e uma dimensão política quando as pessoas mencionam de maneira respeitosa o nome da gente. É uma coisa boa. Vou colocar claramente do ponto de vista pessoal. Muito claramente, não está no meu horizonte disputar a prefeitura. Não estou trabalhando uma candidatura, mas quero trabalhar em uma perspectiva de unidade do partido. A divisão do PT me preocupa”, confessou o ex-prefeito de Belo Horizonte, que disputou e perdeu no ano passado como candidato a vice-governador de Minas, em chapa encabeçada pelo ex-ministro das Comunicações Hélio Costa (PMDB).
Em 2012, Patrus Ananias pretende ocupar seu tempo com uma atribulada agenda de compromissos profissionais: doutorado, doze aulas semanais para três turmas do curso de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), a chefia da editora da mesma instituição, além de palestras, consultorias e o trabalho como servidor concursado na Escola do Legislativo do Estado. Mesmo com tantos compromissos, Patrus, afirma ter tempo para trabalhar pela discussão de temas que desafiam a cidade, como o transporte público e a educação, por exemplo. “Não podemos perder nossos compromissos históricos”, justifica.
Ao iG, o ex-ministro de Lula disse ser preciso, antes de discutir se o PT apoia ou não apoia um determinado nome, traçar um panorama que resgate o direcionamento tradicional dos petistas. “Penso que precisamos discutir mais Belo Horizonte. Precisamos fazer uma leitura da cidade, naquilo que conquistamos e naquilo que precisamos avançar mais, os desafios”. No momento em que o PT decidir seu rumo, a escolha deve ter o apoio de todos os militantes, defendeu também Patrus.
Fator Aécio
Eleito prefeito da capital mineira após derrotar, entre outros candidatos, o hoje senador Aécio Neves (PSDB), em 1992, Patrus destaca haver um “quadro novo” que precisa ser considerado pelo PT na hora da tomada de decisões eleitorais. Para ele, o posicionamento hoje de Aécio é mais claro como um defensor de propostas opostas às dos petistas. “Não digo que isso automaticamente impeça uma aliança em Belo Horizonte, mas é um fato que precisa ser discutido”, frisou.
“O Aécio tem tomado uma postura de fazer duras críticas ao PT, ao governo Lula e ao governo Dilma. Ele tem assumido um discurso que eu considero ser neoliberal, buscando lideranças dos setores mais conservadores, defendendo privatizações e o governo Fernando Henrique Cardoso. Considero positivo ele expor estas diferenças. É uma atitude correta e eu estou atento a isso.” Na avaliação de Patrus, o posicionamento de Aécio em se apresentar como presidenciável reforça os caminhos opostos de PT e PSDB. “2014 está logo ali", afirma.
Com PSDB na chapa, PT fica de fora
Uma das lideranças mais tradicionais do PT de Belo Horizonte, o vereador Arnaldo Godoy foi consultado pelo iG sobre a possibilidade de o seu partido lançar uma candidatura própria apoiada pelo PMDB em 2012. Ponderado, ele afirmou ser Patrus um nome sempre lembrado para ocupar cargos, desde a prefeitura, passando por governo estadual e chegando à Presidência da República. Para ele, entretanto, “Lacerda tem demonstrado querer o PT na chapa”.
Se PSDB caminhar para aliança com Marcio Lacerda, como defendo, será com PT, sem PT ou contra o PT. PSDB tem luz própria. É o maior partido de MG”, diz presidente tucano em Minas
Em um dos quadros possíveis para a composição da candidatura à reeleição de Lacerda está a possibilidade de que um tucano possa ser indicado à vice na chapa. Candidatando-se ao governo em 2014, o atual prefeito da capital deixaria no colo do PSDB a prefeitura. “Isso seria um despautério e um suicídio político. Se ele fizer isso, não nos resta alternativa a não ser lançar candidatura própria, mas eu prefiro nem pensar nesta possibilidade”, disparou Godoy. Sobre as recentes demissões de Lacerda no gabinete de seu vice petista, o vereador contou ter dito pessoalmente ao prefeito que se tratou de um “erro político”, mas que pode ser contornado.
O presidente estadual do PSDB, deputado federal Marcus Pestana, vem defendendo que os tucanos ocupem postos de primeiro escalão da gestão Lacerda e não a vaga de vice na chapa. Na manhã desta sexta-feira (18), ele deixou bem claro estar preparado para guerra em nome do apoio ao prefeito da capital: “Se PSDB caminhar para aliança com Marcio Lacerda, como defendo, será com PT, sem PT ou contra o PT. PSDB tem luz própria. É o maior partido de MG”, assinalou.
Postado Por prof: Gilvan (fonte: IG)

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