terça-feira, 8 de setembro de 2015

ESCRAVOS


À luz da liberdade
a existência acolhe todos
os trabalhadores deste país, Brasil,
que indignados presenciam mentiras,
e escândalos nos jornais,
sem entender por que homens
fazem isso com a nação.

Os malfeitores não têm piedade
dos filhos desta pátria
que sofrem fome e miséria.
Pelo contrário, olham com desprezo
os rostos nobres do povo
que sentem a dor da indignação.

O que serão feitas das crianças
futuras cidadãs no mundo
numa geração de espoliados
à frente de uma sociedade de escravos
que habitam a rica terra, Brasil?

À custa de quanto dinheiro
homens vis e sem coração
maltratam o povo deste país,
afligindo a semente de esperança
que adormece neste chão?

Por mandamento da cínica traição
homens que não amam o país, Brasil,
nem a gente desta terra amada
mentiram para todos os libertos
trabalhadores que lutam pelo pão.

Homens de almas andrajosas
em desonra à própria dignidade
expostos aos olhos de todos
encarceraram a bela liberdade
tornando-se escravos da corrupção.

É convencional achar a corrupção um hábito comum nos nossos dias, e convenhamos: um hábito maléfico e danoso, sobretudo nos recintos da política. Mas ser corrupto não está relacionado somente ao embrião dos salões públicos, não está restrito às vozes dos portadores de mandatos públicos. A corrupção está atrelada aos nossos hábitos mais ordinários, exige uma decisão árdua e cheia de responsabilidades, na maioria das vezes, bastante difícil.
Como tomar uma decisão que não fira os interesses de todos, que não contrarie o bem comum, que não exerça peso na consciência depois de tomada? Aí está a beleza de tudo: em ser corrupto ou não! Temos a liberdade de escolher ser ou não ser corrupto, corromper ou não corromper. Aliás, a palavra corrupção, está mais do que nunca no cotidiano dos brasileiros como se fosse a última tendência de uma moda que resiste ao tempo e não quer passar. A liberdade não exime nenhuma pessoa das consequências de suas escolhas, no entanto, o intrigante, é que muitos homens fazem da liberdade um pretexto para atos egoístas, atingindo uma sociedade fragilizada pelas diferenças sociais.
A repressão militar num determinado período histórico usurpou o direito à liberdade dos brasileiros, marcado como um período turvo da nossa história. Com a consolidação de um estado democrático, o Brasil pôde respirar a liberdade, e o povo saiu vitorioso de um conflito que encarcerou o potencial humano por anos. Hoje está claro que temos a liberdade visível em todos os veículos de comunicação, podemos falar sobre tudo e todos numa indiscrição absurda.
Mas pensemos numa liberdade feita por alguns não com o princípio de contribuir socialmente para o crescimento de uma nação, mas em detrimento da vontade de todo um povo, tal que amarraram algemas nos próprios punhos. Assim são os homens de caráter duvidosos, aqueles que mentem e causam danos à nação quando furtivamente se apossam do tesouro público sem pudor e total falta de decoro.
Os escravos do poema são os mentirosos de almas em trapos, escondidos atrás das tribunas nas Câmaras; são os administradores, fingidores públicos, amantes do dinheiro e responsáveis pela desgraça do povo – tais homens fazem-se prisioneiros neles mesmos – nos calabouços da corrupção.
A liberdade determina o cidadão que sonhamos pro futuro, por isso, como sonhar em erigir uma nação com crianças aptas ao trabalho e a honestidade, se os homens que dirigem nosso meio social são escravos dos maus pensamentos e de vícios degradantes? Eis que a liberdade aqui não é discutida com leviandade ou mesmo sem responsabilidades. Ser livre é estar a par de uma ética comum aos benefícios sociais e liberto da escravidão corruptível na qual aprisiona – uma escravidão que os noticiários nos lembram a todo momento naqueles que envergonham o povo, e que deveriam guiar com polidez e postura ilibada a política em nosso país, Brasil. 
Por Francisco Balbino Sousa
     

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