segunda-feira, 2 de novembro de 2015

SER CIDADÃO: QUERER OU NÃO QUERER O BEM COMUM?

                                                   Texto de  Francisco Balbino Sousa
O que é ser cidadão num mundo onde impera a competição pela sobrevivência e a árdua labuta é uma regra diária na vida de todos os seres humanos, principalmente quando convivem num espaço social cheio de adversidades econômicas, culturais e políticas, como evidencia-se em nosso país? 

Num país de desigualdades em todas as escalas, onde a distribuição de renda é marcada por fortes traços de injustiça e também em vista dos saques à verba pública, fica bastante complicado assimilar o termo cidadania e vivênciá-lo. Fica ainda mais difícil crer num conjunto de cidadãos comprometidos com o bem coletivo, que lute por uma sociedade mais igualitária e justa.  

Ouvir palavras de conformismo com a degeneração política e social por parte de pseudos cidadãos num cenário propenso aos interesses próprios, gera a dúvida na existência de indivíduos que sustentem a base de uma pirâmide humana favorecedora dos interesses coletivos. Tal dúvida é gestada quando pessoas com as quais convivemos pregam o discurso do favorecimento pessoal, do enriquecimento ilícito e até mesmo, pasmem se quiser, quando defendem os corruptos do seu meio social.
Creio que um cidadão ciente de sua atuação social não busca tirar vantagem da situação, num quadro que prejudique os outros. O genuíno cidadão tem compromisso com a sociedade sem segregação de direitos e no cumprimento dos deveres democráticos. Ser cidadão significa promover o diálogo em busca de soluções práticas para os problemas que afetam a nação, comprometer-se com a solidariedade e o respeito ao bem público como riquezas inalienáveis de um povo.

Todos tornar-se-ão cidadãos apenas a partir do direito ao voto ou faltou alguma regra que não nos foi transmitido na escola? Quero ou não quero o bem comum ou será mais vantajoso pensar somente em mim? O mundo é mesmo dos espertos! É o que muitos falam esperando aplausos por meras balelas.

Aliás, o que sai boca afora dos pseudos cidadãos não é diversão, é escárnio mesmo: “Todos são iguais, também roubaria se estivesse no poder”, “Queria uma fatia desse bolo”, “Não dou a mínima, vou mesmo é me dar bem”, “Esse dinheiro é meu, não fará falta ao povo”. Enquanto isso, aos cidadãos que precisam e acreditam no bem comum só restam: hospitais sucateados, escolas distante dos padrões convencionais para uma educação inovadora, obras inacabadas, cidades surrupiadas, recursos desviados, desenvolvimento embargado e etc.

Não há nenhuma fórmula pronta para formar um cidadão que priorize a coisa pública em benefício dos compatriotas, é muito fácil querer a decência nos serviços públicos com a séria aplicação dos nossos impostos. É óbvio, é bom pra todos! Não desejo aos outros o que não quero pra mim, já diz o sábio ditado. Porém, desejo ao outro o que quero pra mim.

 O que quero pra mim é bom pro outro? Vale a pena pensar num significado melhor para a convivência em grupo. Não sou o único que tem direito à saúde, à alimentação, à proteção, dentre os demais direitos garantidos na nossa Constituição. Posso fazer do meu direito o direito do outro e das minhas reivindicações o proveito para o bem estar do outro. Ser cidadão não é uma missão impossível, a prática aprimora o ser humano, basta simplesmente cultivar a integridade e a justiça social arraigado no âmago, e esfacelar os vestígios de egoísmo e ganância que atropelem o outro no direito de estar num patamar de igualdade comigo.
Por profº. Gilvan

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